sexta-feira, 8 de maio de 2015

Viver de novo de amor

By Pinterest - Ilustration: Claudia Fratto/Luiza Brione
Um tempo depois de nos encontrarmos sós sem a companhia do ser amado é penoso se relacionar de novo, mesmo que furtivamente, porque além de toda a punheta que é superar uma fossa, não temos paciência, e às vezes sobra um pouco de medo de passar por tudo novamente, então pensamos: pra quê?

Nesse momento, nós já reencontramos a felicidade, mesmo estando sozinhos. O tempo passa na correria dos dias atribulados; nas noites mais intensas de álcool e conquistas e nos fins de semana carregados de opções de prazer. Então não dá tempo, não tem espaço pra sequer pensar em se apaixonar de novo, mas aí que rola uma viagem ou qualquer outra situação que nos mantém distraídos e completamente embebidos de desejo para vir à tona aquela vontade oculta, na verdade é preciso tão pouco: um olhar do outro ou o papo do outro ou o beijo do outro, e tudo fica fácil e dá vontade de novo de viver de amor.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Seguir

Seguir um caminho que eu não quero. Caminhar em direção às ruas, pessoas, coisas que não reconheço mais na minha vida.
Completamente depressiva, um verdadeiro caco.
Nem sombra do que eu fui um dia.
A vida insiste em seguir, apesar de eu continuar triste. Muita ambição minha querer que ela pare, mas não podia dar um tempo? Não podia ir com mais calma para que eu recupere o fôlego?
Hoje é sexta. Pra uns, dia de cerveja gelada, pra mim, dia de espera.
Me sinto sozinha, num limbo de silêncio que não acaba nunca.
O telefone não toca e quando toca, não me deixa feliz, só me causa medo de ser mais um convite que devo recusar porque é um mix de vontade e perda sem fim.
Medo de perder a ligação dele, medo de encontrar a felicidade sem ele.

terça-feira, 5 de abril de 2011

3.1



A casa dos trinta é a casa que eu nunca quis morar: mal assombrada, escura e com infiltrações.

Tô sobrevivendo aos trinta desde o ano passado e não vi graça nenhuma nisso. Não acho engraçado descobrir o tempo passando no meu rosto, cabelos e etc. Vejo graça na vida que te prega peças e é necessário passar por issocom bom humor além de experiência, e se não a encararmos com doçura quem vai querer dividi-la conosco?!

Todo abril é assim, essa atmosfera neurótica, por vezes rebelde aqui dentro e peço desculpas antecipadas.

Sinto-me como uma guerrilheira que queria tanto matar alguns milicos, mas que perdeu a hora e pegou o embate no fim. Isso tem a ver com autocrítica e com a forma com que fui criada, eu, e toda a nossa geração, essa geração dos fins do 70, início dos 80, a famosa geração coca-cola que nasceu, cresceu e viveu à sombra dos que lutaram contra a ‘Ditadura’ e a favor das ‘Diretas Já!’ – um monte de conclusões expressas em noticiários e documentos históricos.

Ou seja, a gente cresceu, demorou, mas amadureceu, e nunca talvez tenhamos aprendido a dar valor pro sentido de liberdade ou o motivo pelo qual existe o tempo, o tempo de envelhecer, de fazer 20, 30, 40, 100 e o que fazer com ele porque nada muda, só o mundo que dá voltas. Cada vez mais me sinto aprisionada, numa liberdade forjada, porque pra mim, da adolescência pra cá, liberdade se constitui de fazer o que eu quiser na hora que eu quiser, como fugir para encontrar o namorado ou se hospedar clandestinamente num hotel 5 estrelas aos 15 ou ainda ir e vir com saldo no banco, de bar em bar ou na ponte aérea. E se tivermos grana e tempo pra fazer o quisermos, estamos muito satisfeitos né?!

Vivemos no oba-oba porque o pior já passou, já temos a tão sonhada “democracia”, porque votamos independente de raça, credo ou sexo e elegemos nossos governantes e é o suficiente. É o suficiente? Talvez, mas não somos livres porque o que conta ainda é a instituição família, a sociedade, e continuamos atrelados a ela com as suas instituições morais, o preconceito, e apesar de termos saído daquela ditadura, existem outras em seu lugar, como a da moda, da beleza, do consumo. Fazemos parte disso, somos meio alienados, meio politizados e pouco culturizados, amargando essa luta de fazer a vida todos os dias com dignidade, correndo atrás dessa felicidade sonhada. Futuro baby, futuro.

É isso que é ter trinta e poucos pra mim, mas é continuar sonhando também e eu sonho, sonho em ter uma família, apesar de que a cada dia ela pareça mais distante; sonho viver do que escrevo; sonho em dar uma vida melhor à minha mãe, mesmo que seja à distância porque viver com ela está cada vez mais difícil; sonho em amar e ser amada, e vou vivendo, caminhando, escutando e me apoiando no amor dos amigos verdadeiros, nas minhas neuroses diárias que só a Aina entende, e principalmente me sentindo 3.1, três mulheres numa só: uma que sou eu mesmo, a segunda que me enche de alegria com sarcasmos e sensualidade, e a terceira que é a verdade mais sórdida do que eu ainda não consegui ser, apesar de todo o exemplo de uma família tradicional que vai morrendo à míngua a cada dia.

Felicidade eu carrego dentro de mim por teimosia porque amo a vida apesar de tudo, e amo as pessoas que me cercam cada vez mais, mas isso não tem nada a ver com idade, tem a ver com ser Marilyn mesmo, e que se dane a casa dos trinta, porque a única coisa boa é que hoje eu me sinto mais racional, mais sabedora de como lidar com minhas lutas internas, mas isso eu poderia ter percebido antes, em qualquer idade se não estivesse tão distraída com as imposições da sociedade, com aquele blá blá blá de encontrar alguém, casar e procriar, talvez se não fosse por isso, hoje a casa dos trinta seria um lar claro, aberto e amplo para receber a todos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Gente Sabe


A gente sabe o que tem que fazer nessas horas que o coração acelera, nas horas que a cabeça tá com caraminhola, nessas horas que dá um medo de perder, de desestimular, de fugir, de prender, amordaçar... A gente sabe. Sabe que precisa de uma distração, de que precisa pensar primeiramente em você e que deve parar de olhar só para os olhos do bem-querer e olhar para o que está em volta. É difícil. Cinema, teatro, shows, bares, amigos e tantas opções estão aí para te fazer companhia, mas você só quer a dele, quer que ele te convide pra sair, quer que ele tenha a programação do fim de semana à mão para você dois curtirem juntos e quer fundamentalmente que ele te olhe com cara de tarado e te coma por inteira.

É assim que eu me sinto e é assim que muitas como eu se sentem quando apaixonadas. Passado frisson do primeiro olhar, da primeira transa, dos primeiros dias, tudo o que a gente quer é uma resolução, e haja pressa nessa perspectiva de se saber apaixonada e bem quista por quem te apetece. Cansam-se os programas de bar pra se ver, conversar e se querer; cansam-se as caminhadas noturnas; as transas furtivas em Mini Motéis da zona comercial da cidade, o que se quer mesmo é segurança, é troca, convivência, pelamordedeus, convivência de lençóis e camas próprios, banho a dois, filminho e pizza, e família, e rotina, e cão, gato e papagaio, tudo pra se ter de verdade uma relação.

Enquanto estamos na fase das andanças, sejam elas de conhecimento, de primeiras impressões, somos sugadas para o imaginário de ter algo calmo, tranqüilo, verdadeiro. Não queremos o desespero do celular que não toca ou dele queimando no bolso nos fazendo querer ligar; não queremos mais aquela sensação de que tudo pode mudar no próximo segundo; não queremos mais aquela despedida de “a gente se fala”, parecendo algo tão casual e descartável, só queremos o que é perene, certeiro, direto. Ser mulher além de ser difícil é neurótico e ter uma relação então, é coisa de doida masoquista, pode acreditar!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quem Poderá Me Salvar Agora?




Nem Krishna, nem Deus, nem Zorro podem me salvar desse perigo que vivo: Se fujo, morro. Se corro, me atiro. Se grito, desespero. Entrei na montanha-russa das emoções e mais uma vez a viagem foi totalmente diferente, loopings horrorosos, quase vomitei, chorei. Não estava preparada. Fiquei presa nas sensações que ela provocou. Quis me livrar do vazio que me habitava e agora sinto tudo, vejo coisas, doloridas e belas, vacas amarelas, ideias mirabolantes, cupidos e anjos na minha janela sem ter poder nenhum em minhas mãos para controlá-las.

Nos horários mais impróprios elas vêm. Pensei que pudessem vir de mansinho, aos pouquinhos, e não esse furacão que me descabela, me faz engolir poeira, me aterroriza várias horas no dia e estou longe de ter um plano B, uma carta na manga.

Não tenho saída, nem coelho na cartola ou ajudante vadia. Uma varinha de condão resolvia, ou melhor, seria um feitiço no caldeirão pra saber se passa e ele fica e me ama um bocadinho e vai ser meu destino, alguém legal, não o tal, mas a minha soma pra vida.
E tô aqui meio perdida, meio ‘da vida’, sempre no cio, em desvario completamente entregue e com água nos pulmões de tanto que mergulhei de cabeça. Tô ligando direto, pedindo conselho, dividindo meus anseios, doida pra mostrar meus sinais-rachaduras-cicatrizes-palavras, todas aquelas que me vem à boca e eu calo, mas que estão bem aqui, no coração.

E o que é que eu faço agora enquanto o lobo não vem?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Amorando"


Um amigo me contou uma novidade pelo facebook: - “Estou amorando!”.
- “Espera aí. “Amorando”? Eu disse.

E de súbito ri desta versão sem o N. Ele nem percebeu, mas achei curioso, diferente. De repente o N nem precisa ser usado para que fantasiemos outro tipo de relacionamento: o “amorando”. E se Martha¹ me visse agora ela repetiria o que li em uma de suas crônicas: “A criatividade dos amantes é infinita”.

E se ao excluir o N, excluíssemos do relacionamento o negativo, a prisão, o insulto, o platonismo. E se ao excluir o N tudo fosse bom e recíproco?

É, porque de acordo com o Google, “amorar” significa dar cor de amora aos objetos, além de enamorar-se e dentre outras coisas, fugir de casa... Então vamos fugir do que entendemos por namoro, que é uma relação moderna de experimentação sentimental ou sexual, e que dependendo do seu grau pode-se estabelecer um noivado, um matrimônio... Quem sabe!

E já que a paixão está dentro deste contexto vamos mantê-la como a fera que dilacera nosso coração, come nossa razão, e selvagem, nos atrai para o perigo de cometer os atos mais impulsivos, mais ousados, mais contraditórios, a fim de dar cabo de um desejo voraz e intermitente. E que dela sejamos reféns, transformando sua fome em um ciclo que uma hora dorme criança afetuosa, serenando e amando calmo, doce e, em outra vagueia desassossegada por entre os corredores escuros de um sentimento que, de tão inexplicável, virou encantado, e que absoluto nos torna, nos faz ser amorado(a) de alguém.
Estou “amorando” e isso significa que eu não evito nada, muito menos a paixão. Não existem mais jogos de azar, a gente sempre ganha se joga limpo, aberto, sincero. Digo mais sim: sim para um chope na segunda, para cama, mesa e cômoda. Por que não?! Exercito-me na corda bamba, no pisar delicado por sob as asas de borboleta, não temo a queda ou o desequilíbrio, apenas continuo caminhando. Não mistifico meus atos, descomplico, explico. Falo mais com olhar, desnudo mais com o olhar. Desejo muito mais do que deveria e me dou esse direito. Também não me prendo e não prendo mais ninguém. Se mexer, gemo. Se der prazer, gemo. Se doer, grito, choro e vivo. Vivo a paz de estar só e a euforia do encontro. Bebo freneticamente, mas sei sorver a saliva de quem me apetece. Conto até vinte se preciso for, tudo para não quebrar o silêncio das batidas do meu coração. Estou muito mais na minha, mas também quero estar na dele vez em quando. Não invento, provoco sentimentos. Se for só um simples abraço, também fico feliz, assim como um beijo no rosto ou no olho, quero mais é me sentir bem-quista. Fantasio o sexo, lambo os sonhos e deliro sobre as vestes do meu bem-querer e nunca me senti tão bem assim. Isso é estar “amorando”, uma soma entre a paixão e amor-próprio, a possibilidade sob a impossibilidade. Está tudo ao alcance da mão e do coração, basta provar, sentir e cometer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Marilyn no Vazio.


Ando tão vazia por dentro que ensaio um amor/paixão/caso pra mim de brincadeira. Essa minha mania de olhar bem dentro dos olhos das pessoas, esse encaramento descarado que qualquer dia ainda vai rolar uma resposta na cara, do tipo: - “Te conheço?!”. Realmente, não me conhece, nem eu conheço, mas gosto de olhar, imaginar quem são, do que vivem, essas coisas.

E como a falta é profunda estive a olhar pros caras e imaginá-los dentro de suas roupas de trabalho, paletó e gravata ou calça jeans e blusas de botão, e também olhar pros caras que parecem estar à passeio com seus bermudões de surf e suas camisas descoladas, ignorando o tempo chuvoso da terrinha, e andando assim a mil e por um fio, eu me coloco dentro da vida deles como uma personagem bem quista, amada, meio no cio, meio gata, meio pudica, meio delicada, sabe-se lá! Só sei que quando saio de casa de manhãzinha, meio tonta de sono meu sonho ainda está nos olhos e sigo de passo macio com uma cena aberta na cabeça: dois corpos nús na cama, o meu e o dele, a contar os gemidos de amor do nosso sexo...

E então buzinas me acordam. O caos urbano imperando na Presidente Vargas, os transeuntes se desviando desvairados e constato que continuo andando macio vagando por Belém como se os meus cinco minutinhos de surpresa da vida não fossem acontecer, desesperançosa, mas sei que só a expectativa é meio caminho andado para que algo, por mais simples que seja surja nessa minha vida novela mexicana-cinemanoir-peçaexperimental. Todo dia uma personagem diferente.

"Quando pinta um buraco na existência, você tem que tirar forças de dentro para poder colocar alguma coisa dentro daquele vazio."

(Paulo Leminski)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Marilyn: - "Eu Quero Te Comer!"


- Qual teu problema garoto?! Eu fico aqui todinha pra você em brasa e nada de sexo!
Era exatamente o que eu tive vontade de perguntar, mas apesar das várias doses de vodka, eu me contive, o que é uma vitória, já que mamãe aqui, quando ébria, adora uma DR, uns palavrões ocasionais e tudo o que estiver na ponta da língua, de um doce “eu te amo” a um “vamos pra cama baby” rouco. Depois sou ressaca moral, pode ter certeza.

Caramba eu falei pelos cotovelos e tiveram uns olhares desavergonhados, uns beijos sem fim, umas confissões, tudo muito normal para uma paquera e o cara mandava muito bem até... Tudo de bom! Lá pelas tantas, eu já pelas tabelas rolaram uns amassos daquele de fazer sumir a multidão em volta e eu pensei: É agora que ele vai me convidar pra sair daqui...
Que nada. O amasso acabou. Eu me sentindo a mulher mais vulgar da face da terra com o corpo aceso e ele como se nada tivesse acontecido. Limpei o canto da boca ainda encharcada com a saliva de prazer, cruzei as pernas, joguei o cabelo para o lado, toda me querendo, assumindo mesmo o papel de devassa, me sentindo “a vulgar”, olhei bem dentro dos olhos dele com a cara mais lavada de tarada e disse: - “Eu quero te comer!”. Assim mesmo, na lata.

Foi cômico a cara dele. Surpreso ele devolveu: - “Por que você demorou tanto pra dizer isso?”. Saímos fugitivos de lá e fomos pro primeiro MMO¹ que encontramos. Juntou a fome com a vontade de comer e foi lindo. Moral da história: homem é alimento. Com ou sem atitude. Palavras de quem estava há um bom tempo na pedra.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Para 2011 com um pouquinho de atraso.


Caro 2011,

Não sabes como estou animada com a sua chegada, ansiosa de te ver depois de tudo que passei com o 2010, mas tudo bem, pelo menos quando vieres ao meu encontro me perceberás uma pessoa melhor, mais equilibrada. Ègua eu tô tão feliz que vens que te aguardo com um espetáculo de fogos e com a emoção na garganta. Tenho tanta coisa para fazer com você, viver com você, realizar com você e principalmente descobrir você todinho. Hummmmmmm vai ser bom. Tenho certeza!

Criar expectativa é um negócio que eu não curto muito, mas por seres ilustre, é inevitável, então pra não perder tempo digo tudo o que eu tenho em mente: De você eu quero mais oportunidades, tanto profissional quanto pessoal, surpresas hollywoodianas, tipo alguma coisa inacreditavelmente boa que surge ao dobrar a esquina, muitos sonhos bons, amigos antigos e novos na mesma harmonia e saúde pra dar e vender.
É isso. Alguma dúvida? Espero que não!

É bom que entendas que eu preciso dessas oportunidades, dessa sua mãozinha do destino, o resto eu desenvolvo sozinha. Estou disposta a batalhar, a lutar, a evoluir com o que vier, exceto as desilusões amorosas! Pelamordedeus não quero desilusão e já te digo que se for rolar paixão/amor/namoro que seja de cabeça, fundo, equilibrado e saudável, sem trauma para as partes envolvidas ok?! Isto é muito importante. Vale anotar num post-it:
Marilyn se for para apaixonar/amar/namorar: que seja alegre, saudável, recíproco, verdadeiro e sem desilusões durante 365 dias.

Estamos combinados assim e vou cobrar!

Em troca te prometo equilíbrio entre espiritual, emocional e racional. Experimentarás conhecer uma pessoa mais sensível, mais esforçada em acreditar na felicidade, a realizar, a viver em cada momento uma eterna novidade e tocar os corações das pessoas.
E que esse tempo juntos seja doce, eterno, puro e que acenda sorrisos todos os dias.

Eu tô muito a fim de você 2011. Essa é a verdade.
Bjs hollywoodianos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Boas Festas" por Marilyn


Nossa nós já estamos no fim do ano de novo, e adivinha só, pela primeira vez vou estar solteira, pelo menos é o que tudo indica, a não ser que na estrada ou na travessia para Ilha eu tope com o cara mais sensacional, engraçado, interessante e charmoso, e a gente se curta, e a gente se queira mutuamente... Bom, mas isso é só uma viagem que se acontecer (não custa imaginar que sim!) eu conto pra vocês depois.

A questão é que desde os dezesseis anos eu sempre estava namorando, foram muitos fins de ano apaixonada, dedicando amor a alguém e o manifestando em presentes caros, em cartões melosos, essas coisas (eu fico muito sensível nesta época!).

Do “Boas Festas” para mim só o Réveillon é especial, o Natal é meio controverso porque minha família é do contra, comemoramos no dia 25, isso mesmo, no feriado, enquanto a maioria está de ressaca da noite anterior porque comeu ou bebeu demais, a festa, na casa da minha tiavó está a toda, cercada de parentes e amigos. Tem seu charme porque tudo na casa inspira elegância, excentricidade e cultura, é como respirar um ar mais doce e viajar ao passado de menina, mas pensando nas convenções da sociedade que o Natal é dia 24, me sinto só e não tenho a fuga habitual da casa do namorado, não este ano.

Enfim, já chega dessa baboseira sentimental, o que me impressiona é a transformação da vida, ano passado eu tinha um namorado e companhia para a noite do dia 24, assim como a do Ano Novo, estava amando e era recíproco, virando e revirando noites sob as estrelas da minha Ilha Maravilha, completamente envolvida pela aura majestosa de Iemanjá, com meus amados amigos, tudo no seu lugar, e agora eu tenho única e exclusivamente a mim, tudo bem que os amigos estarão lá, mas deixou de ser tão importante estar com alguém nesta época, e isso me assusta.

Espanta-me essa serenidade. Sem ansiedade, cigarros, necessidade de flerte, telefonema ou carência. Se isso é plenitude acho que eu extrapolei a meta. Não pareço a Marilyn que se descabelaria agorinha mesmo e estou com medo que essa completude faça com que eu veja só espaços vazios nas pessoas, e em contrapartida elas não me percebam de tão egocêntrica que eu possa parecer, porque quem não quer beijar na boca, olhar nos olhos de alguém especial, mesmo que por uma noite, e sentir alguma coisa beliscar o estômago? Eu quero e você?

Bjs Hollywoodianos de Natal e Ano Novo pra todos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

08/12 - Dia de Iemanjá


Iemanjá,


Que tudo o que desejo e sonho se torne realidade


Que tudo que posso e não posso, seja executado com perfeição


Que tudo o que dói desapareça


Que todo amor seja verdadeiro enquanto dure


Que tudo que lateja seja aliviado...


Minha mãe proteja-me do desamor, do desapego, da inimizade,


das energias negativas e de todos os males.


Me lava com tuas águas!
Uma Prece:

Poderosa força das águas. Ianê Janaína, Sereia do Mar.
Saravá minha mãe Iemanjá!
Leva para as profundezas do teu mar sagrado.
Odoiá...todas as minhas desventuras e infortúnios.
Traz do teu mar todas as forças espirituais para alento de nossas necessidades.
Paz e esperança, Odofiabá... Saravá minha mãe Iemanjá!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Marilyn X Casamento


Eu fico revoltada em casamentos. Não, não me sinto frustrada por ter trinta e não ser casada se é isso que você está pensando, tenho um traumazinho pelo passado: fui traída, iludida pela ideia de um amor para sempre e mais seis meses (nada mais normal!), mas aquela atmosfera de felicidade forçada, como se você tivesse que mostrar para o mundo/sociedade a obviedade do seu amor e justificá-lo aos céus, pô isso mexe comigo no sentido negativo da coisa, pior que isso só a visão retrógrada do papel da mulher no casamento, que é o que me faz morder a língua sempre.
Tudo bem se você questionar o que digo, é apenas a minha opinião, mas ser expectadora é quase tortura pra mim, por isso sou muito seletiva, vou apenas aos de grandes amigos e familiares. Tudo me incomoda: o banco da igreja, que depois de uma hora sentada faz eu não sentir minha bunda; algumas gafes, tipo a do padrinho tirar fotos dos noivos no altar, mesmo sabendo que tem um fotógrafo profissional para isso, e na recepção, a música e comida ruins.
Ah, mas o que fica no topo da minha lista, o que me alfineta ao ponto de eu querer indagar em voz alta, é o sermão que o padre/pastor/rabino profere, aquele papo de que o homem é ‘o cabeça’ da família e que a mulher deve obediência ao esposo. Eu fico a ponto de vomitar com esse discurso mais retrógrado e prolixo. Pro lixo com isso! É um absurdo que em pleno século XXI, dada as mudanças sociais, comportamentais e políticas ainda se escute tamanha asneira. Nós mulheres já queimamos sutiãs, já nos revoltamos contra os padrões impostos pela sociedade do século passado e por isso conquistamos o direito ao voto, à igualdade social, direito à integridade de seu corpo, à liberdade e tantas outras vitórias, não somos mais meras donas-de-casa e mães, somos mais complexas que isso, somos muitas coisas, profissionais-amantes-esposas-presidentas... E depois ainda sou obrigada a me emocionar em casamentos?! Chorar só se for de raiva.

Aí você me pergunta: Não tem nada de legal em casamentos pra você? Não é possível! Nem a boca livre? Tem sim, duas coisas, a primeira é o ‘open bar’, aquele festival de drinks coloridos, whisky e cerveja (adoroooo) e a segunda é o festival de erros e acertos de vestuário dos convidados, “um must”. Tem de tudo: calça Jeans, camisa ¾, uso de cores extravagantes em tecidos mais extravagantes ainda, plataformas por debaixo dos vestidos longos, vestidos curtíssimos, acessórios gigantes... E muito mais. É engraçado de ver, distrai até, mas não é legal pela perspectiva do que a cerimônia impõe, do que ela representa para quem acredita nela, tudo bem que quem deve estar de arrasar são os noivos, mas gente, pelamordeus, há que se respeitar a formalidade, a etiqueta e vestir-se adequadamente para o evento, escolher o vestido da cor e cumprimento adequados, pentear, alisar, esticar, prender o cabelo, sei lá, mas tem que honrar quem julga ser este, um dos momentos mais importantes da sua vida, e mesmo que eu não priorize isso para minha vida costumo justificar o sentimento que sinto pelo casal, através de uma postura elegante não só na aparência, mas na maneira de lidar com as minhas convicções.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hoje Por Marilyn Ditadora


Hoje eu fumei um cigarro só para provar que eu sou livre no meu desapego da mesma forma em que posso me livrar dele. Fica só o trabalho pra minha cabeça dolorida de tanto pensar.

Assim como outro dia eu trôpega despejei algumas palavras torpes no ouvido alheio de tanto que elas me ensurdeciam e eu tentava afogá-las no meu status de mulherzinha-trintona-nem-aí-pra-qualquer-coisa-que-fosse. Pura mentira. Eu to aí sim para um monte de coisas: pra essa indiferença momentânea que brota dele, pros comentários que não são escritos neste blog que eu não sei se alguém lê, pro telefone que não toca, pro e-mail que não chega, pras coisas que eu sinto e que eu deixo quietas num canto, coisas que eu não tenho muita coragem de evidenciar e principalmente pra esse desejo que vive me acordando no meio da noite, uns suores, uma quentura, coisa que eu tenho certeza que não é menopausa (antes que alguém dê a ideia!).

Pô não faço questão de papel passado, anel de compromisso, apelidos de amor... Faço questão de um desejo que seja recíproco, de um querer que não se atenha no coração e que seja expresso, de um sexo cheio de excitação e gozo, de um cinema de mãos dadas, de uma conversa de olhos nos olhos, onde a única coisa a ser dita é a verdade sempre, de alguma coisa que não seja evitada, que se deixe rolar, que haja certo entrosamento, que se perceba que os sentimentos, sejam eles quais forem já existem, o resto é conseqüência da vida mesmo, e só. Ponto. Mas tá tudo tão complicado que eu me sinto brochando por querer desabrochar um sentimento qualquer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Hoje é Dia D


Hoje eu quero escancarar algumas coisas que andam trancadas, que eu finjo que não vejo. Não, eu não vou falar do que acelera meus batimentos cardíacos, nem vou falar do mistério da paixão, do desassossego da ansiedade, dos escárnios sobre o ser amado e muito menos da beleza do amor. O que eu vou falar é da realidade da pobreza, pobreza social, econômica do meu estado, aquela que me deparo todos os dias por trás dos meus mais fúteis sentimentos, por trás do meu wayfarer vermelho e a mesma que enxergo com os cabelos esvoaçantes ao passar apressada pilotando a minha Vespa 1963.

Sim hoje é dia D. Hoje é dia de Marilyn, de Marilyn cidadã, não ditadora. É dia das minhas convicções, mas também da flexibilidade em escutar a opinião alheia, democraticamente discordar ou concordar, escolher assimilar ou não, mudar ou não, votar ou não, enfim, olhar para outras coisas e pessoas que não sejam o meu próprio umbigo, coisa que, diga-se de passagem, eu não me orgulho em assumir, assumir que estou meio alienada no que diz respeito ao cenário político, que meus argumentos, meu discurso está mais apaixonado do que deveria e que na verdade estou mais ‘in’ na moda do que na política, mas eu estou aqui, consciente da minha situação, de que preciso descobrir uma porrada de coisas.

Então eu percebi que eu precisava sentar a bunda na frente do meu Notebook burguês e pesquisar, seja sobre a validade dos votos brancos e nulos ou as propostas dos candidatos, e ao mesmo tempo observar com mais cuidado para a minha, a nossa realidade desta cidade de mangas voadoras, desse estado que não vai sediar a Copa, tudo bem que a Copa traria investimentos ao estado e blá blá blá, mas passou, já era, pelamordedeus vamos deixar pra lá todas essas conjecturas, todas as coisas supérfluas e pensar mais na educação que hoje é a lanterninha do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), nas filas dos postos de saúde, nos baixos índices de desenvolvimento econômico, no trabalho escravo, infantil, nos conflitos de terra e na violência diária. Vamos parar pra pensar e deixar de dizer que nunca o Pará foi essa Coca-Cola toda e que nunca vai ser. Vamos pensar em soluções porque eu não aguento mais olhar praquele senhor deficiente, morador de rua e não poder fazer nada, nada no sentido de lhe dar mais atenção, saúde e moradia, o máximo que eu posso fazer é me solidarizar, doar alguma coisa e votar pra ver se algum político faz alguma coisa por ele, por nós, pelo Pará, pelo Brasil... Mas quem??? “E agora: Quem poderá nos defender?”

Vamos dar um ‘plus’ no Pará, no Brasil com o nosso voto consciente. Vamos pensar melhor!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não Pensar.




Nossa eu penso muito. Seja na minha cama King Size vazia, seja no meu trabalho com as palavras, tudo bem que é o que me permite criar, desenvolver ideias, mas pô bem que podiam ser mais direcionados esses pensamentos, não ficar dando vazão aos ais que me interrompem vez ou outra. Estou aqui na frente do meu notebook burguês e não consigo parar de pensar nele. Não consigo parar de pensar que o telefone tem que tocar. Não consigo parar de pensar que eu preciso vê-lo, mas que dessa vez ele precisa tomar a iniciativa:
Sexo por paixão ou por amor, por favor!
Dois chops pra enfeitar tudo e nada mais.
Um filme para variar. Uma viagem praquela Ilha maravilha.
Uma soltura de sentimentos. Um encantamento.
Um encaramento descarado. O que mais possa acontecer. Da parte dele pra mim.
De toda parte. Do baixo ventre à boca, do cafuné ao olhar carinhoso, admirado.
Sim. É ele - aquele a quem meu corpo pede com a quentura do fogo me acordando de madrugada sem fôlego e de boca seca e eu me encontro assim, cada dia menos ditadora dos meus sentimentos, minhas atitudes e antes eu era tão senhora de mim e tão absoluta por não sentir nada. Nada me assaltava tirando o meu sono, nada me inundava, nada tirava o meu olhar criterioso do mundo, nada arrancava o sorriso e o sarcasmo do meu rosto, mas agora tem ele, que somado à minha criatividade absurda nas associações me traz à tona um milhão de querências que eu até tenho vergonha de contar. De ligar. De esvaziar tudo o que está cheio aqui no meu coração, na minha mente. Todas as dúvidas, todas as inundações de desejo, todas as inanições de comê-lo, todas as inseguranças de perdê-lo para outra qualquer ou para as outras que em mim habitam.

“...Rabisco


teu nome no meu corpo


quando a fome do encontro


me atiça e eriça as lembranças


do mar...” (Sandra Regina – Blog Feita Em Versos).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gula


Enquanto uns tem fome, desejam veementemente por viverem com dignidade, eu cometo o pecado da gula – vontade incontrolável de comê-lo. Me acomete a vontade de braços, de movimento de corpos, e não os tenho pura e simplesmente por que eu preciso parar e colocar na cabeça que às vezes eu não me caibo, que eu preciso esperar o movimento do mundo, então eu tô assim com os nervos à flor da pele pedindo Ilha, a boca seca salivando beijo, a mão crispada querendo a dele, padecendo da síndrome da coitadinha que eu abomino e com razão, tadinha, toda bobinha esperando uma ligação, um convite, fazendo propaganda do meu desejo, me benzendo na frente das igrejas pra que o rol de santos me conceda essa graça tão irracional, de animal ávido de carne, de paixão, de amor (arg!) me deu até ânsia de vômito. Parei e já chega. Se ele não ligar, não vier me carregar e me jogar de encontro ao corpo dele paciência! Vou arrancá-lo da cabeça com 33 marteladas, me focar em todos os ganchos propagandísticos a que me submeto diariamente, olhar para a sujeira do mundo com olhar de tristeza, de rebeldia, encarar nos olhos todas as pessoas que passarem por mim (quem sabe alguém me enxerga de verdade!) e sim, continuarei sendo a mesma mulherzinha-trintona-rouca-neurótica-tresloucada da minha cabeça faminta a amar por aí, pelo menos alguma coisa ainda bate aqui dentro, seja a cabeça ou o coração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sem Pausas, Sem Esperas.




Eu não sei lidar com esperas: esperar uma ligação, uma iniciativa, uma declaração. Se já aconteceu tudo o que deveria, se já beijou, se já viu os contornos, ventre embargado e se tudo o mais foi bom... O que esperar? Por que não curtir mais um pouco todas essas emoções? Eu não entendo tanta dificuldade.
Sempre esse vai-não-vai das relações humanas. Cansei disso. Cansei de esperar um convite e gastei meu último dinheiro, o mesmo que me proporcionaria desfrutar da companhia dele, com Martha¹, pelo menos sacia minha fome por mais uma emoção no bolso e desacelera meu coração por essa busca desenfreada de mais cinco minutinhos.
É o cúmulo mesmo. Eu com 30 à espera de mais alguma coisa. À espera de algo que sacie, de algo que surpreenda, mas surpresa boa por favor! O que adianta ter toda essa independência de pagar as contas, ganhar dinheiro, fazer o que gosto, escrever o que sinto e estar bem resolvida quanto ao que quero se tenho observado tantos julgamentos errôneos?
Eu lutei por muito tempo contra os meus pudores, meus medos, minhas ilusões. Deixei de acreditar em príncipe encantado, amor pra sempre, e que tudo vai ficar bem. Não! Não é bem assim que as coisas são: eu não serei resgatada por um príncipe, mas por mim mesma até encontrar um amor; o amor vai durar pra sempre no tempo que ele existir, e não vai ser nem o primeiro nem o último amor da minha vida; acredito ainda mais que meu caráter não se define nem se rotula pela quantidade de homens que passaram por minha vida ou por meu corpo porque se o fiz foi por desejo, prazer, por me sentir extremamente à vontade com aquela pessoa e talvez as coisas fiquem bem ou não, vai saber!
Cansei de esperar que as pessoas me encarem com outros olhos, sou isso e quem quiser me conhecer melhor, seja bem vindo, mas sou coerente comigo mesma em qualquer situação, desde o estado de sobriedade ao de embriaguez, de pileque, vou confidenciar, sou mais mulher, mais impulsiva, mas mesmo assim sou eu mesma, no mesmo corpo recipiente e o meu valor é definido única e exclusivamente pela minha responsabilidade comigo mesma e pelo amor próprio que não abro mão, seja em qualquer situação. Meu valor vem do fato de eu não dever nada a ninguém, de cuidar de mim, de ser amorosa e educada com o próximo e da minha honestidade. Isso sou eu e nada mais.
E tudo o mais, o meu cansaço, o meu desejo em tê-lo e todas as minhas dúvidas se ele vai ligar ou não, se ele vai me convidar ou não se ele vai jogar ou se vai me pegar logo, e toda essa impaciência que me assombra não é nada a mais do que viver as coisas, sentir, é apenas isso e eu realmente to confiando no movimento do mundo, nos cinco minutinhos que a vida proporciona de surpresa pra quem sabe eu o conheça melhor, pra quem sabe ele me conheça melhor nessa realidade doida da cidade de mangas voadoras e de trânsito caótico, antes que eu perca toda a voz que me resta e toda a coragem também.
E Martha tem toda razão: "Você é o que ninguém vê".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu Sou Maiandeua!


Descobrindo a ilha eu acabei me descobrindo também.


Eu sou Maiandeua! E você?


Tô gritando pra não ficar rouca, acordada pra não esquecer, atarantada de tanto viver, viver de Ilha, vida simples, de coração aos saltos, de cabeça leve, de olhar meigo, de balanço de rede, de se jogar conversa fora, de mil possibilidades, ainda em baque regueado, baque de onda, maré, bicho de pé, caiada de sol e desejo latente, sede de braços morenos.


Descobri que de ilha se vive, se tira proveito. Sem lugar comum, sem tempo rei, só tempo hoje e fora da rede de cobertura, dá pra ser verdade lá, dá pra assumir atos e dá pra viver sim a realidade sem dissimular nada, só viver o descomplicado, que toda a parafernália tecnológica somada aos nossos problemas diários não sugere e sem todo aquele não sei o quê de não sei onde que pinta pra colocar caraminhola na cabeça e que serve como vigilante interno, freio ABS do que realmente se deseja ser, fazer, estar.


Eu já estava caduca de ilha, mas só agora entendi, deu um clique sabe, e pela primeira vez eu me permiti, até subi no Mar de Bundas¹, deixei de lado a temperança e fui abduzida pela euforia, não tem nada a ver com carência, clichês ou pieguices, mas tudo é uma coisa de uns olhos que se encontram e se perdem tudo são seres seduzidos pela lua, por um viver urgente, por mais cinco minutinhos, tudo e nada na mesma sintonia: Uns se amam loucamente para sempre e mais seis meses e outros não atravessam o universo paralelo, despertam com a realidade urbe que nos espera, paixão que nasce e morre lá se assemelha à que desvairou Camille, viciou Amy, queimou Joana, prendeu Oscar, e sim, a mesma que motivou a coragem de Anita.


Então eu voltei, cá estou na minha urbana realidade, e mesmo aqui sou a mesma da ilha, uma maravilha de pessoa melhor que surgiu em mim e que conviveu com uma maravilha de outras pessoas que encontrei por lá.


“Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo”. (Camille Claudel)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Amor por Marilyn


Se para mim o amor tivesse um nome próprio, este seria Zeca por causa daquele olhar de primeira vez misturado com “deixa acontecer naturalmente” que rolou naquele Réveillon, naquela Ilha Maravilha que chamo de minha. Zeca por toda a sua espontaneidade, sua molecagem e por aquele sorriso iluminado, estilo Colgate.
Sim seria Zeca este amor próprio, não poderia ser Mário porque foi o primeiro e quem seria louca de amar apenas um? Não poderia ser James, de artista já basto eu. Joca não, porque ele sempre quis demais de mim e eu sou à prestação. Ivan, gordinho safado! Não. Não pela traição, mas pela ilusão. Não para Marco por que ele tinha alguma coisa que não se controla e a ditadora aqui sou eu! E muitos outros nãos porque flertes de passagem apesar de ótimos servem apenas para adquirir experiência e para dar fim à carência.
Mas o amor para mim é adjetivo – inatingível, inalcançável como Jorge¹ e por fim abstrato: não sinto seu cheiro, não posso vê-lo, nem tocá-lo e até senti-lo anda difícil esses tempos, e mesmo que ele seja o sujeito do meu querer, existem parênteses e aspas que preciso considerar.


“A coisa mais fina do mundo é o sentimento” (Adélia Prado).

quarta-feira, 14 de julho de 2010



"Ensaio:

Nesse dia vou querer a vida

com pressa menos intervalo entre uma frase e outra

menos respiração entre um fato e outro

menos intervalos entre um impulso e outro

menos lacunas entre a ação e sua causa

e se Deus não entender, rezarei:

Menos pausa, meu Deus menos pausa".

(Elisa Lucinda)