quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gula


Enquanto uns tem fome, desejam veementemente por viverem com dignidade, eu cometo o pecado da gula – vontade incontrolável de comê-lo. Me acomete a vontade de braços, de movimento de corpos, e não os tenho pura e simplesmente por que eu preciso parar e colocar na cabeça que às vezes eu não me caibo, que eu preciso esperar o movimento do mundo, então eu tô assim com os nervos à flor da pele pedindo Ilha, a boca seca salivando beijo, a mão crispada querendo a dele, padecendo da síndrome da coitadinha que eu abomino e com razão, tadinha, toda bobinha esperando uma ligação, um convite, fazendo propaganda do meu desejo, me benzendo na frente das igrejas pra que o rol de santos me conceda essa graça tão irracional, de animal ávido de carne, de paixão, de amor (arg!) me deu até ânsia de vômito. Parei e já chega. Se ele não ligar, não vier me carregar e me jogar de encontro ao corpo dele paciência! Vou arrancá-lo da cabeça com 33 marteladas, me focar em todos os ganchos propagandísticos a que me submeto diariamente, olhar para a sujeira do mundo com olhar de tristeza, de rebeldia, encarar nos olhos todas as pessoas que passarem por mim (quem sabe alguém me enxerga de verdade!) e sim, continuarei sendo a mesma mulherzinha-trintona-rouca-neurótica-tresloucada da minha cabeça faminta a amar por aí, pelo menos alguma coisa ainda bate aqui dentro, seja a cabeça ou o coração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sem Pausas, Sem Esperas.




Eu não sei lidar com esperas: esperar uma ligação, uma iniciativa, uma declaração. Se já aconteceu tudo o que deveria, se já beijou, se já viu os contornos, ventre embargado e se tudo o mais foi bom... O que esperar? Por que não curtir mais um pouco todas essas emoções? Eu não entendo tanta dificuldade.
Sempre esse vai-não-vai das relações humanas. Cansei disso. Cansei de esperar um convite e gastei meu último dinheiro, o mesmo que me proporcionaria desfrutar da companhia dele, com Martha¹, pelo menos sacia minha fome por mais uma emoção no bolso e desacelera meu coração por essa busca desenfreada de mais cinco minutinhos.
É o cúmulo mesmo. Eu com 30 à espera de mais alguma coisa. À espera de algo que sacie, de algo que surpreenda, mas surpresa boa por favor! O que adianta ter toda essa independência de pagar as contas, ganhar dinheiro, fazer o que gosto, escrever o que sinto e estar bem resolvida quanto ao que quero se tenho observado tantos julgamentos errôneos?
Eu lutei por muito tempo contra os meus pudores, meus medos, minhas ilusões. Deixei de acreditar em príncipe encantado, amor pra sempre, e que tudo vai ficar bem. Não! Não é bem assim que as coisas são: eu não serei resgatada por um príncipe, mas por mim mesma até encontrar um amor; o amor vai durar pra sempre no tempo que ele existir, e não vai ser nem o primeiro nem o último amor da minha vida; acredito ainda mais que meu caráter não se define nem se rotula pela quantidade de homens que passaram por minha vida ou por meu corpo porque se o fiz foi por desejo, prazer, por me sentir extremamente à vontade com aquela pessoa e talvez as coisas fiquem bem ou não, vai saber!
Cansei de esperar que as pessoas me encarem com outros olhos, sou isso e quem quiser me conhecer melhor, seja bem vindo, mas sou coerente comigo mesma em qualquer situação, desde o estado de sobriedade ao de embriaguez, de pileque, vou confidenciar, sou mais mulher, mais impulsiva, mas mesmo assim sou eu mesma, no mesmo corpo recipiente e o meu valor é definido única e exclusivamente pela minha responsabilidade comigo mesma e pelo amor próprio que não abro mão, seja em qualquer situação. Meu valor vem do fato de eu não dever nada a ninguém, de cuidar de mim, de ser amorosa e educada com o próximo e da minha honestidade. Isso sou eu e nada mais.
E tudo o mais, o meu cansaço, o meu desejo em tê-lo e todas as minhas dúvidas se ele vai ligar ou não, se ele vai me convidar ou não se ele vai jogar ou se vai me pegar logo, e toda essa impaciência que me assombra não é nada a mais do que viver as coisas, sentir, é apenas isso e eu realmente to confiando no movimento do mundo, nos cinco minutinhos que a vida proporciona de surpresa pra quem sabe eu o conheça melhor, pra quem sabe ele me conheça melhor nessa realidade doida da cidade de mangas voadoras e de trânsito caótico, antes que eu perca toda a voz que me resta e toda a coragem também.
E Martha tem toda razão: "Você é o que ninguém vê".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu Sou Maiandeua!


Descobrindo a ilha eu acabei me descobrindo também.


Eu sou Maiandeua! E você?


Tô gritando pra não ficar rouca, acordada pra não esquecer, atarantada de tanto viver, viver de Ilha, vida simples, de coração aos saltos, de cabeça leve, de olhar meigo, de balanço de rede, de se jogar conversa fora, de mil possibilidades, ainda em baque regueado, baque de onda, maré, bicho de pé, caiada de sol e desejo latente, sede de braços morenos.


Descobri que de ilha se vive, se tira proveito. Sem lugar comum, sem tempo rei, só tempo hoje e fora da rede de cobertura, dá pra ser verdade lá, dá pra assumir atos e dá pra viver sim a realidade sem dissimular nada, só viver o descomplicado, que toda a parafernália tecnológica somada aos nossos problemas diários não sugere e sem todo aquele não sei o quê de não sei onde que pinta pra colocar caraminhola na cabeça e que serve como vigilante interno, freio ABS do que realmente se deseja ser, fazer, estar.


Eu já estava caduca de ilha, mas só agora entendi, deu um clique sabe, e pela primeira vez eu me permiti, até subi no Mar de Bundas¹, deixei de lado a temperança e fui abduzida pela euforia, não tem nada a ver com carência, clichês ou pieguices, mas tudo é uma coisa de uns olhos que se encontram e se perdem tudo são seres seduzidos pela lua, por um viver urgente, por mais cinco minutinhos, tudo e nada na mesma sintonia: Uns se amam loucamente para sempre e mais seis meses e outros não atravessam o universo paralelo, despertam com a realidade urbe que nos espera, paixão que nasce e morre lá se assemelha à que desvairou Camille, viciou Amy, queimou Joana, prendeu Oscar, e sim, a mesma que motivou a coragem de Anita.


Então eu voltei, cá estou na minha urbana realidade, e mesmo aqui sou a mesma da ilha, uma maravilha de pessoa melhor que surgiu em mim e que conviveu com uma maravilha de outras pessoas que encontrei por lá.


“Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo”. (Camille Claudel)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Amor por Marilyn


Se para mim o amor tivesse um nome próprio, este seria Zeca por causa daquele olhar de primeira vez misturado com “deixa acontecer naturalmente” que rolou naquele Réveillon, naquela Ilha Maravilha que chamo de minha. Zeca por toda a sua espontaneidade, sua molecagem e por aquele sorriso iluminado, estilo Colgate.
Sim seria Zeca este amor próprio, não poderia ser Mário porque foi o primeiro e quem seria louca de amar apenas um? Não poderia ser James, de artista já basto eu. Joca não, porque ele sempre quis demais de mim e eu sou à prestação. Ivan, gordinho safado! Não. Não pela traição, mas pela ilusão. Não para Marco por que ele tinha alguma coisa que não se controla e a ditadora aqui sou eu! E muitos outros nãos porque flertes de passagem apesar de ótimos servem apenas para adquirir experiência e para dar fim à carência.
Mas o amor para mim é adjetivo – inatingível, inalcançável como Jorge¹ e por fim abstrato: não sinto seu cheiro, não posso vê-lo, nem tocá-lo e até senti-lo anda difícil esses tempos, e mesmo que ele seja o sujeito do meu querer, existem parênteses e aspas que preciso considerar.


“A coisa mais fina do mundo é o sentimento” (Adélia Prado).

quarta-feira, 14 de julho de 2010



"Ensaio:

Nesse dia vou querer a vida

com pressa menos intervalo entre uma frase e outra

menos respiração entre um fato e outro

menos intervalos entre um impulso e outro

menos lacunas entre a ação e sua causa

e se Deus não entender, rezarei:

Menos pausa, meu Deus menos pausa".

(Elisa Lucinda)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Musique


Antes de tudo a música sempre foi pra mim a liberdade de andar rodopiando quando criança em volta do meu barrigão, hoje, enquanto adulta cantarolo, e me empolgo com aquela canção que é a minha cara, a bola da vez, a última esperança divina.
Quando ouço aquela música, aquela, a que meus sentimentos mais profundos imploram, peço ao vento que ele carregue minhas frustrações, minhas inseguranças e peço também ao sol de manhãzinha (porque depois das 10h faz mal!) que ele me ilumine de sabedoria e positividade e isso me faz bem demais.


Posso até dizer de uma forma trágica que minha fossa sempre foi a lá musique, sempre chorei ou sorri por causa de uma música, por causa de um término, por causa da vida, sempre essa lágrima e essa alegria no rosto ao mesmo tempo, uma beleza que a vida proporciona de magistral e perfeita que cabe direitinho na gente, no jeito da gente, com a cara da gente, com o sentimento da gente, a mesma e velha história de existir, no sentido de viver e estampar que hoje eu sou mais feliz que ontem. Hoje eu tenho música à mão e no ouvido, tô meio criança de meia calça e barrigão com o meu brinquedo novo made USA, minha caixinha de músicas preferidas, meu MP4... Hoje to de desatino, de riso à toa, de coração latejante.


Mil Beijos Hollywoodianos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uns Cigarros


É. todos tentam, mas só uma equipe vence a Copa, e nesse caso, não foi o Brasil (rsrsrs). Não tem graça, sofri uma puta de uma ansiedade durante o jogo (égua da vontade de fumar um cigarro!). Tudo bem passou. Passou mais um dia, minhas melhores amigas viajaram, ou seja, me abandonaram mesmo, e a realidade batendo à porta: solteira, sozinha, um verdadeiro caco! (ah um cigarro!).
Caco mesmo foi ficar numa fila do PROCON às sete da matina de segunda para pegar uma senha que eu não consegui. Acordar cedo pra quê né?! Só pra dar vontade de tomar um café e fumar um cigarro.

Esses dias teem sido branco, branco do papel mesmo, sem palavras, sem rimas, sem paixões, sem amores passageiros, sem flertes, só vazio de mim para os outros ou vice-versa, aí penso no vinho e no cigarro pra escrever alguma coisa, e dá vontade de escrever e dá vontade de fumar essa ansiedade pra ver se dela nasce alguma coisa, pra ver se ela trás poesia pra vida.

‘- Tudo bem Marilyn é Julho’. Repito para mim mesma, além da E-S-C-O-V-A-D-E-D-E-N-T-E habitual pra ver se eu acredito que tudo vai dar certo e daqui a alguns dias eu vou estar no mar, no sol, na boemia de Algodoal com meus queridos amigos. (esperança é a ultima que morre).

Tô seguindo meu cotidiano de abstinente, de ex fumante, ex namorada de alguém, ex amor, ex tanta coisa, e me pergunto coisas que eu não sei bem porque e eu não sei por que eu to com vontade de chocolate se nem gosto e também não sei por que eu quero tanto um cigarro... Por que por que por que por que?

Por que mesmo eu parei de fumar?

Ah tá lembrei, mas não posso contar!

Bjs hollywoodianos