terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Amorando"


Um amigo me contou uma novidade pelo facebook: - “Estou amorando!”.
- “Espera aí. “Amorando”? Eu disse.

E de súbito ri desta versão sem o N. Ele nem percebeu, mas achei curioso, diferente. De repente o N nem precisa ser usado para que fantasiemos outro tipo de relacionamento: o “amorando”. E se Martha¹ me visse agora ela repetiria o que li em uma de suas crônicas: “A criatividade dos amantes é infinita”.

E se ao excluir o N, excluíssemos do relacionamento o negativo, a prisão, o insulto, o platonismo. E se ao excluir o N tudo fosse bom e recíproco?

É, porque de acordo com o Google, “amorar” significa dar cor de amora aos objetos, além de enamorar-se e dentre outras coisas, fugir de casa... Então vamos fugir do que entendemos por namoro, que é uma relação moderna de experimentação sentimental ou sexual, e que dependendo do seu grau pode-se estabelecer um noivado, um matrimônio... Quem sabe!

E já que a paixão está dentro deste contexto vamos mantê-la como a fera que dilacera nosso coração, come nossa razão, e selvagem, nos atrai para o perigo de cometer os atos mais impulsivos, mais ousados, mais contraditórios, a fim de dar cabo de um desejo voraz e intermitente. E que dela sejamos reféns, transformando sua fome em um ciclo que uma hora dorme criança afetuosa, serenando e amando calmo, doce e, em outra vagueia desassossegada por entre os corredores escuros de um sentimento que, de tão inexplicável, virou encantado, e que absoluto nos torna, nos faz ser amorado(a) de alguém.
Estou “amorando” e isso significa que eu não evito nada, muito menos a paixão. Não existem mais jogos de azar, a gente sempre ganha se joga limpo, aberto, sincero. Digo mais sim: sim para um chope na segunda, para cama, mesa e cômoda. Por que não?! Exercito-me na corda bamba, no pisar delicado por sob as asas de borboleta, não temo a queda ou o desequilíbrio, apenas continuo caminhando. Não mistifico meus atos, descomplico, explico. Falo mais com olhar, desnudo mais com o olhar. Desejo muito mais do que deveria e me dou esse direito. Também não me prendo e não prendo mais ninguém. Se mexer, gemo. Se der prazer, gemo. Se doer, grito, choro e vivo. Vivo a paz de estar só e a euforia do encontro. Bebo freneticamente, mas sei sorver a saliva de quem me apetece. Conto até vinte se preciso for, tudo para não quebrar o silêncio das batidas do meu coração. Estou muito mais na minha, mas também quero estar na dele vez em quando. Não invento, provoco sentimentos. Se for só um simples abraço, também fico feliz, assim como um beijo no rosto ou no olho, quero mais é me sentir bem-quista. Fantasio o sexo, lambo os sonhos e deliro sobre as vestes do meu bem-querer e nunca me senti tão bem assim. Isso é estar “amorando”, uma soma entre a paixão e amor-próprio, a possibilidade sob a impossibilidade. Está tudo ao alcance da mão e do coração, basta provar, sentir e cometer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Marilyn no Vazio.


Ando tão vazia por dentro que ensaio um amor/paixão/caso pra mim de brincadeira. Essa minha mania de olhar bem dentro dos olhos das pessoas, esse encaramento descarado que qualquer dia ainda vai rolar uma resposta na cara, do tipo: - “Te conheço?!”. Realmente, não me conhece, nem eu conheço, mas gosto de olhar, imaginar quem são, do que vivem, essas coisas.

E como a falta é profunda estive a olhar pros caras e imaginá-los dentro de suas roupas de trabalho, paletó e gravata ou calça jeans e blusas de botão, e também olhar pros caras que parecem estar à passeio com seus bermudões de surf e suas camisas descoladas, ignorando o tempo chuvoso da terrinha, e andando assim a mil e por um fio, eu me coloco dentro da vida deles como uma personagem bem quista, amada, meio no cio, meio gata, meio pudica, meio delicada, sabe-se lá! Só sei que quando saio de casa de manhãzinha, meio tonta de sono meu sonho ainda está nos olhos e sigo de passo macio com uma cena aberta na cabeça: dois corpos nús na cama, o meu e o dele, a contar os gemidos de amor do nosso sexo...

E então buzinas me acordam. O caos urbano imperando na Presidente Vargas, os transeuntes se desviando desvairados e constato que continuo andando macio vagando por Belém como se os meus cinco minutinhos de surpresa da vida não fossem acontecer, desesperançosa, mas sei que só a expectativa é meio caminho andado para que algo, por mais simples que seja surja nessa minha vida novela mexicana-cinemanoir-peçaexperimental. Todo dia uma personagem diferente.

"Quando pinta um buraco na existência, você tem que tirar forças de dentro para poder colocar alguma coisa dentro daquele vazio."

(Paulo Leminski)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Marilyn: - "Eu Quero Te Comer!"


- Qual teu problema garoto?! Eu fico aqui todinha pra você em brasa e nada de sexo!
Era exatamente o que eu tive vontade de perguntar, mas apesar das várias doses de vodka, eu me contive, o que é uma vitória, já que mamãe aqui, quando ébria, adora uma DR, uns palavrões ocasionais e tudo o que estiver na ponta da língua, de um doce “eu te amo” a um “vamos pra cama baby” rouco. Depois sou ressaca moral, pode ter certeza.

Caramba eu falei pelos cotovelos e tiveram uns olhares desavergonhados, uns beijos sem fim, umas confissões, tudo muito normal para uma paquera e o cara mandava muito bem até... Tudo de bom! Lá pelas tantas, eu já pelas tabelas rolaram uns amassos daquele de fazer sumir a multidão em volta e eu pensei: É agora que ele vai me convidar pra sair daqui...
Que nada. O amasso acabou. Eu me sentindo a mulher mais vulgar da face da terra com o corpo aceso e ele como se nada tivesse acontecido. Limpei o canto da boca ainda encharcada com a saliva de prazer, cruzei as pernas, joguei o cabelo para o lado, toda me querendo, assumindo mesmo o papel de devassa, me sentindo “a vulgar”, olhei bem dentro dos olhos dele com a cara mais lavada de tarada e disse: - “Eu quero te comer!”. Assim mesmo, na lata.

Foi cômico a cara dele. Surpreso ele devolveu: - “Por que você demorou tanto pra dizer isso?”. Saímos fugitivos de lá e fomos pro primeiro MMO¹ que encontramos. Juntou a fome com a vontade de comer e foi lindo. Moral da história: homem é alimento. Com ou sem atitude. Palavras de quem estava há um bom tempo na pedra.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Para 2011 com um pouquinho de atraso.


Caro 2011,

Não sabes como estou animada com a sua chegada, ansiosa de te ver depois de tudo que passei com o 2010, mas tudo bem, pelo menos quando vieres ao meu encontro me perceberás uma pessoa melhor, mais equilibrada. Ègua eu tô tão feliz que vens que te aguardo com um espetáculo de fogos e com a emoção na garganta. Tenho tanta coisa para fazer com você, viver com você, realizar com você e principalmente descobrir você todinho. Hummmmmmm vai ser bom. Tenho certeza!

Criar expectativa é um negócio que eu não curto muito, mas por seres ilustre, é inevitável, então pra não perder tempo digo tudo o que eu tenho em mente: De você eu quero mais oportunidades, tanto profissional quanto pessoal, surpresas hollywoodianas, tipo alguma coisa inacreditavelmente boa que surge ao dobrar a esquina, muitos sonhos bons, amigos antigos e novos na mesma harmonia e saúde pra dar e vender.
É isso. Alguma dúvida? Espero que não!

É bom que entendas que eu preciso dessas oportunidades, dessa sua mãozinha do destino, o resto eu desenvolvo sozinha. Estou disposta a batalhar, a lutar, a evoluir com o que vier, exceto as desilusões amorosas! Pelamordedeus não quero desilusão e já te digo que se for rolar paixão/amor/namoro que seja de cabeça, fundo, equilibrado e saudável, sem trauma para as partes envolvidas ok?! Isto é muito importante. Vale anotar num post-it:
Marilyn se for para apaixonar/amar/namorar: que seja alegre, saudável, recíproco, verdadeiro e sem desilusões durante 365 dias.

Estamos combinados assim e vou cobrar!

Em troca te prometo equilíbrio entre espiritual, emocional e racional. Experimentarás conhecer uma pessoa mais sensível, mais esforçada em acreditar na felicidade, a realizar, a viver em cada momento uma eterna novidade e tocar os corações das pessoas.
E que esse tempo juntos seja doce, eterno, puro e que acenda sorrisos todos os dias.

Eu tô muito a fim de você 2011. Essa é a verdade.
Bjs hollywoodianos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Boas Festas" por Marilyn


Nossa nós já estamos no fim do ano de novo, e adivinha só, pela primeira vez vou estar solteira, pelo menos é o que tudo indica, a não ser que na estrada ou na travessia para Ilha eu tope com o cara mais sensacional, engraçado, interessante e charmoso, e a gente se curta, e a gente se queira mutuamente... Bom, mas isso é só uma viagem que se acontecer (não custa imaginar que sim!) eu conto pra vocês depois.

A questão é que desde os dezesseis anos eu sempre estava namorando, foram muitos fins de ano apaixonada, dedicando amor a alguém e o manifestando em presentes caros, em cartões melosos, essas coisas (eu fico muito sensível nesta época!).

Do “Boas Festas” para mim só o Réveillon é especial, o Natal é meio controverso porque minha família é do contra, comemoramos no dia 25, isso mesmo, no feriado, enquanto a maioria está de ressaca da noite anterior porque comeu ou bebeu demais, a festa, na casa da minha tiavó está a toda, cercada de parentes e amigos. Tem seu charme porque tudo na casa inspira elegância, excentricidade e cultura, é como respirar um ar mais doce e viajar ao passado de menina, mas pensando nas convenções da sociedade que o Natal é dia 24, me sinto só e não tenho a fuga habitual da casa do namorado, não este ano.

Enfim, já chega dessa baboseira sentimental, o que me impressiona é a transformação da vida, ano passado eu tinha um namorado e companhia para a noite do dia 24, assim como a do Ano Novo, estava amando e era recíproco, virando e revirando noites sob as estrelas da minha Ilha Maravilha, completamente envolvida pela aura majestosa de Iemanjá, com meus amados amigos, tudo no seu lugar, e agora eu tenho única e exclusivamente a mim, tudo bem que os amigos estarão lá, mas deixou de ser tão importante estar com alguém nesta época, e isso me assusta.

Espanta-me essa serenidade. Sem ansiedade, cigarros, necessidade de flerte, telefonema ou carência. Se isso é plenitude acho que eu extrapolei a meta. Não pareço a Marilyn que se descabelaria agorinha mesmo e estou com medo que essa completude faça com que eu veja só espaços vazios nas pessoas, e em contrapartida elas não me percebam de tão egocêntrica que eu possa parecer, porque quem não quer beijar na boca, olhar nos olhos de alguém especial, mesmo que por uma noite, e sentir alguma coisa beliscar o estômago? Eu quero e você?

Bjs Hollywoodianos de Natal e Ano Novo pra todos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

08/12 - Dia de Iemanjá


Iemanjá,


Que tudo o que desejo e sonho se torne realidade


Que tudo que posso e não posso, seja executado com perfeição


Que tudo o que dói desapareça


Que todo amor seja verdadeiro enquanto dure


Que tudo que lateja seja aliviado...


Minha mãe proteja-me do desamor, do desapego, da inimizade,


das energias negativas e de todos os males.


Me lava com tuas águas!
Uma Prece:

Poderosa força das águas. Ianê Janaína, Sereia do Mar.
Saravá minha mãe Iemanjá!
Leva para as profundezas do teu mar sagrado.
Odoiá...todas as minhas desventuras e infortúnios.
Traz do teu mar todas as forças espirituais para alento de nossas necessidades.
Paz e esperança, Odofiabá... Saravá minha mãe Iemanjá!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Marilyn X Casamento


Eu fico revoltada em casamentos. Não, não me sinto frustrada por ter trinta e não ser casada se é isso que você está pensando, tenho um traumazinho pelo passado: fui traída, iludida pela ideia de um amor para sempre e mais seis meses (nada mais normal!), mas aquela atmosfera de felicidade forçada, como se você tivesse que mostrar para o mundo/sociedade a obviedade do seu amor e justificá-lo aos céus, pô isso mexe comigo no sentido negativo da coisa, pior que isso só a visão retrógrada do papel da mulher no casamento, que é o que me faz morder a língua sempre.
Tudo bem se você questionar o que digo, é apenas a minha opinião, mas ser expectadora é quase tortura pra mim, por isso sou muito seletiva, vou apenas aos de grandes amigos e familiares. Tudo me incomoda: o banco da igreja, que depois de uma hora sentada faz eu não sentir minha bunda; algumas gafes, tipo a do padrinho tirar fotos dos noivos no altar, mesmo sabendo que tem um fotógrafo profissional para isso, e na recepção, a música e comida ruins.
Ah, mas o que fica no topo da minha lista, o que me alfineta ao ponto de eu querer indagar em voz alta, é o sermão que o padre/pastor/rabino profere, aquele papo de que o homem é ‘o cabeça’ da família e que a mulher deve obediência ao esposo. Eu fico a ponto de vomitar com esse discurso mais retrógrado e prolixo. Pro lixo com isso! É um absurdo que em pleno século XXI, dada as mudanças sociais, comportamentais e políticas ainda se escute tamanha asneira. Nós mulheres já queimamos sutiãs, já nos revoltamos contra os padrões impostos pela sociedade do século passado e por isso conquistamos o direito ao voto, à igualdade social, direito à integridade de seu corpo, à liberdade e tantas outras vitórias, não somos mais meras donas-de-casa e mães, somos mais complexas que isso, somos muitas coisas, profissionais-amantes-esposas-presidentas... E depois ainda sou obrigada a me emocionar em casamentos?! Chorar só se for de raiva.

Aí você me pergunta: Não tem nada de legal em casamentos pra você? Não é possível! Nem a boca livre? Tem sim, duas coisas, a primeira é o ‘open bar’, aquele festival de drinks coloridos, whisky e cerveja (adoroooo) e a segunda é o festival de erros e acertos de vestuário dos convidados, “um must”. Tem de tudo: calça Jeans, camisa ¾, uso de cores extravagantes em tecidos mais extravagantes ainda, plataformas por debaixo dos vestidos longos, vestidos curtíssimos, acessórios gigantes... E muito mais. É engraçado de ver, distrai até, mas não é legal pela perspectiva do que a cerimônia impõe, do que ela representa para quem acredita nela, tudo bem que quem deve estar de arrasar são os noivos, mas gente, pelamordeus, há que se respeitar a formalidade, a etiqueta e vestir-se adequadamente para o evento, escolher o vestido da cor e cumprimento adequados, pentear, alisar, esticar, prender o cabelo, sei lá, mas tem que honrar quem julga ser este, um dos momentos mais importantes da sua vida, e mesmo que eu não priorize isso para minha vida costumo justificar o sentimento que sinto pelo casal, através de uma postura elegante não só na aparência, mas na maneira de lidar com as minhas convicções.