terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hoje Por Marilyn Ditadora


Hoje eu fumei um cigarro só para provar que eu sou livre no meu desapego da mesma forma em que posso me livrar dele. Fica só o trabalho pra minha cabeça dolorida de tanto pensar.

Assim como outro dia eu trôpega despejei algumas palavras torpes no ouvido alheio de tanto que elas me ensurdeciam e eu tentava afogá-las no meu status de mulherzinha-trintona-nem-aí-pra-qualquer-coisa-que-fosse. Pura mentira. Eu to aí sim para um monte de coisas: pra essa indiferença momentânea que brota dele, pros comentários que não são escritos neste blog que eu não sei se alguém lê, pro telefone que não toca, pro e-mail que não chega, pras coisas que eu sinto e que eu deixo quietas num canto, coisas que eu não tenho muita coragem de evidenciar e principalmente pra esse desejo que vive me acordando no meio da noite, uns suores, uma quentura, coisa que eu tenho certeza que não é menopausa (antes que alguém dê a ideia!).

Pô não faço questão de papel passado, anel de compromisso, apelidos de amor... Faço questão de um desejo que seja recíproco, de um querer que não se atenha no coração e que seja expresso, de um sexo cheio de excitação e gozo, de um cinema de mãos dadas, de uma conversa de olhos nos olhos, onde a única coisa a ser dita é a verdade sempre, de alguma coisa que não seja evitada, que se deixe rolar, que haja certo entrosamento, que se perceba que os sentimentos, sejam eles quais forem já existem, o resto é conseqüência da vida mesmo, e só. Ponto. Mas tá tudo tão complicado que eu me sinto brochando por querer desabrochar um sentimento qualquer.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Hoje é Dia D


Hoje eu quero escancarar algumas coisas que andam trancadas, que eu finjo que não vejo. Não, eu não vou falar do que acelera meus batimentos cardíacos, nem vou falar do mistério da paixão, do desassossego da ansiedade, dos escárnios sobre o ser amado e muito menos da beleza do amor. O que eu vou falar é da realidade da pobreza, pobreza social, econômica do meu estado, aquela que me deparo todos os dias por trás dos meus mais fúteis sentimentos, por trás do meu wayfarer vermelho e a mesma que enxergo com os cabelos esvoaçantes ao passar apressada pilotando a minha Vespa 1963.

Sim hoje é dia D. Hoje é dia de Marilyn, de Marilyn cidadã, não ditadora. É dia das minhas convicções, mas também da flexibilidade em escutar a opinião alheia, democraticamente discordar ou concordar, escolher assimilar ou não, mudar ou não, votar ou não, enfim, olhar para outras coisas e pessoas que não sejam o meu próprio umbigo, coisa que, diga-se de passagem, eu não me orgulho em assumir, assumir que estou meio alienada no que diz respeito ao cenário político, que meus argumentos, meu discurso está mais apaixonado do que deveria e que na verdade estou mais ‘in’ na moda do que na política, mas eu estou aqui, consciente da minha situação, de que preciso descobrir uma porrada de coisas.

Então eu percebi que eu precisava sentar a bunda na frente do meu Notebook burguês e pesquisar, seja sobre a validade dos votos brancos e nulos ou as propostas dos candidatos, e ao mesmo tempo observar com mais cuidado para a minha, a nossa realidade desta cidade de mangas voadoras, desse estado que não vai sediar a Copa, tudo bem que a Copa traria investimentos ao estado e blá blá blá, mas passou, já era, pelamordedeus vamos deixar pra lá todas essas conjecturas, todas as coisas supérfluas e pensar mais na educação que hoje é a lanterninha do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), nas filas dos postos de saúde, nos baixos índices de desenvolvimento econômico, no trabalho escravo, infantil, nos conflitos de terra e na violência diária. Vamos parar pra pensar e deixar de dizer que nunca o Pará foi essa Coca-Cola toda e que nunca vai ser. Vamos pensar em soluções porque eu não aguento mais olhar praquele senhor deficiente, morador de rua e não poder fazer nada, nada no sentido de lhe dar mais atenção, saúde e moradia, o máximo que eu posso fazer é me solidarizar, doar alguma coisa e votar pra ver se algum político faz alguma coisa por ele, por nós, pelo Pará, pelo Brasil... Mas quem??? “E agora: Quem poderá nos defender?”

Vamos dar um ‘plus’ no Pará, no Brasil com o nosso voto consciente. Vamos pensar melhor!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não Pensar.




Nossa eu penso muito. Seja na minha cama King Size vazia, seja no meu trabalho com as palavras, tudo bem que é o que me permite criar, desenvolver ideias, mas pô bem que podiam ser mais direcionados esses pensamentos, não ficar dando vazão aos ais que me interrompem vez ou outra. Estou aqui na frente do meu notebook burguês e não consigo parar de pensar nele. Não consigo parar de pensar que o telefone tem que tocar. Não consigo parar de pensar que eu preciso vê-lo, mas que dessa vez ele precisa tomar a iniciativa:
Sexo por paixão ou por amor, por favor!
Dois chops pra enfeitar tudo e nada mais.
Um filme para variar. Uma viagem praquela Ilha maravilha.
Uma soltura de sentimentos. Um encantamento.
Um encaramento descarado. O que mais possa acontecer. Da parte dele pra mim.
De toda parte. Do baixo ventre à boca, do cafuné ao olhar carinhoso, admirado.
Sim. É ele - aquele a quem meu corpo pede com a quentura do fogo me acordando de madrugada sem fôlego e de boca seca e eu me encontro assim, cada dia menos ditadora dos meus sentimentos, minhas atitudes e antes eu era tão senhora de mim e tão absoluta por não sentir nada. Nada me assaltava tirando o meu sono, nada me inundava, nada tirava o meu olhar criterioso do mundo, nada arrancava o sorriso e o sarcasmo do meu rosto, mas agora tem ele, que somado à minha criatividade absurda nas associações me traz à tona um milhão de querências que eu até tenho vergonha de contar. De ligar. De esvaziar tudo o que está cheio aqui no meu coração, na minha mente. Todas as dúvidas, todas as inundações de desejo, todas as inanições de comê-lo, todas as inseguranças de perdê-lo para outra qualquer ou para as outras que em mim habitam.

“...Rabisco


teu nome no meu corpo


quando a fome do encontro


me atiça e eriça as lembranças


do mar...” (Sandra Regina – Blog Feita Em Versos).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gula


Enquanto uns tem fome, desejam veementemente por viverem com dignidade, eu cometo o pecado da gula – vontade incontrolável de comê-lo. Me acomete a vontade de braços, de movimento de corpos, e não os tenho pura e simplesmente por que eu preciso parar e colocar na cabeça que às vezes eu não me caibo, que eu preciso esperar o movimento do mundo, então eu tô assim com os nervos à flor da pele pedindo Ilha, a boca seca salivando beijo, a mão crispada querendo a dele, padecendo da síndrome da coitadinha que eu abomino e com razão, tadinha, toda bobinha esperando uma ligação, um convite, fazendo propaganda do meu desejo, me benzendo na frente das igrejas pra que o rol de santos me conceda essa graça tão irracional, de animal ávido de carne, de paixão, de amor (arg!) me deu até ânsia de vômito. Parei e já chega. Se ele não ligar, não vier me carregar e me jogar de encontro ao corpo dele paciência! Vou arrancá-lo da cabeça com 33 marteladas, me focar em todos os ganchos propagandísticos a que me submeto diariamente, olhar para a sujeira do mundo com olhar de tristeza, de rebeldia, encarar nos olhos todas as pessoas que passarem por mim (quem sabe alguém me enxerga de verdade!) e sim, continuarei sendo a mesma mulherzinha-trintona-rouca-neurótica-tresloucada da minha cabeça faminta a amar por aí, pelo menos alguma coisa ainda bate aqui dentro, seja a cabeça ou o coração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sem Pausas, Sem Esperas.




Eu não sei lidar com esperas: esperar uma ligação, uma iniciativa, uma declaração. Se já aconteceu tudo o que deveria, se já beijou, se já viu os contornos, ventre embargado e se tudo o mais foi bom... O que esperar? Por que não curtir mais um pouco todas essas emoções? Eu não entendo tanta dificuldade.
Sempre esse vai-não-vai das relações humanas. Cansei disso. Cansei de esperar um convite e gastei meu último dinheiro, o mesmo que me proporcionaria desfrutar da companhia dele, com Martha¹, pelo menos sacia minha fome por mais uma emoção no bolso e desacelera meu coração por essa busca desenfreada de mais cinco minutinhos.
É o cúmulo mesmo. Eu com 30 à espera de mais alguma coisa. À espera de algo que sacie, de algo que surpreenda, mas surpresa boa por favor! O que adianta ter toda essa independência de pagar as contas, ganhar dinheiro, fazer o que gosto, escrever o que sinto e estar bem resolvida quanto ao que quero se tenho observado tantos julgamentos errôneos?
Eu lutei por muito tempo contra os meus pudores, meus medos, minhas ilusões. Deixei de acreditar em príncipe encantado, amor pra sempre, e que tudo vai ficar bem. Não! Não é bem assim que as coisas são: eu não serei resgatada por um príncipe, mas por mim mesma até encontrar um amor; o amor vai durar pra sempre no tempo que ele existir, e não vai ser nem o primeiro nem o último amor da minha vida; acredito ainda mais que meu caráter não se define nem se rotula pela quantidade de homens que passaram por minha vida ou por meu corpo porque se o fiz foi por desejo, prazer, por me sentir extremamente à vontade com aquela pessoa e talvez as coisas fiquem bem ou não, vai saber!
Cansei de esperar que as pessoas me encarem com outros olhos, sou isso e quem quiser me conhecer melhor, seja bem vindo, mas sou coerente comigo mesma em qualquer situação, desde o estado de sobriedade ao de embriaguez, de pileque, vou confidenciar, sou mais mulher, mais impulsiva, mas mesmo assim sou eu mesma, no mesmo corpo recipiente e o meu valor é definido única e exclusivamente pela minha responsabilidade comigo mesma e pelo amor próprio que não abro mão, seja em qualquer situação. Meu valor vem do fato de eu não dever nada a ninguém, de cuidar de mim, de ser amorosa e educada com o próximo e da minha honestidade. Isso sou eu e nada mais.
E tudo o mais, o meu cansaço, o meu desejo em tê-lo e todas as minhas dúvidas se ele vai ligar ou não, se ele vai me convidar ou não se ele vai jogar ou se vai me pegar logo, e toda essa impaciência que me assombra não é nada a mais do que viver as coisas, sentir, é apenas isso e eu realmente to confiando no movimento do mundo, nos cinco minutinhos que a vida proporciona de surpresa pra quem sabe eu o conheça melhor, pra quem sabe ele me conheça melhor nessa realidade doida da cidade de mangas voadoras e de trânsito caótico, antes que eu perca toda a voz que me resta e toda a coragem também.
E Martha tem toda razão: "Você é o que ninguém vê".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu Sou Maiandeua!


Descobrindo a ilha eu acabei me descobrindo também.


Eu sou Maiandeua! E você?


Tô gritando pra não ficar rouca, acordada pra não esquecer, atarantada de tanto viver, viver de Ilha, vida simples, de coração aos saltos, de cabeça leve, de olhar meigo, de balanço de rede, de se jogar conversa fora, de mil possibilidades, ainda em baque regueado, baque de onda, maré, bicho de pé, caiada de sol e desejo latente, sede de braços morenos.


Descobri que de ilha se vive, se tira proveito. Sem lugar comum, sem tempo rei, só tempo hoje e fora da rede de cobertura, dá pra ser verdade lá, dá pra assumir atos e dá pra viver sim a realidade sem dissimular nada, só viver o descomplicado, que toda a parafernália tecnológica somada aos nossos problemas diários não sugere e sem todo aquele não sei o quê de não sei onde que pinta pra colocar caraminhola na cabeça e que serve como vigilante interno, freio ABS do que realmente se deseja ser, fazer, estar.


Eu já estava caduca de ilha, mas só agora entendi, deu um clique sabe, e pela primeira vez eu me permiti, até subi no Mar de Bundas¹, deixei de lado a temperança e fui abduzida pela euforia, não tem nada a ver com carência, clichês ou pieguices, mas tudo é uma coisa de uns olhos que se encontram e se perdem tudo são seres seduzidos pela lua, por um viver urgente, por mais cinco minutinhos, tudo e nada na mesma sintonia: Uns se amam loucamente para sempre e mais seis meses e outros não atravessam o universo paralelo, despertam com a realidade urbe que nos espera, paixão que nasce e morre lá se assemelha à que desvairou Camille, viciou Amy, queimou Joana, prendeu Oscar, e sim, a mesma que motivou a coragem de Anita.


Então eu voltei, cá estou na minha urbana realidade, e mesmo aqui sou a mesma da ilha, uma maravilha de pessoa melhor que surgiu em mim e que conviveu com uma maravilha de outras pessoas que encontrei por lá.


“Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo”. (Camille Claudel)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Amor por Marilyn


Se para mim o amor tivesse um nome próprio, este seria Zeca por causa daquele olhar de primeira vez misturado com “deixa acontecer naturalmente” que rolou naquele Réveillon, naquela Ilha Maravilha que chamo de minha. Zeca por toda a sua espontaneidade, sua molecagem e por aquele sorriso iluminado, estilo Colgate.
Sim seria Zeca este amor próprio, não poderia ser Mário porque foi o primeiro e quem seria louca de amar apenas um? Não poderia ser James, de artista já basto eu. Joca não, porque ele sempre quis demais de mim e eu sou à prestação. Ivan, gordinho safado! Não. Não pela traição, mas pela ilusão. Não para Marco por que ele tinha alguma coisa que não se controla e a ditadora aqui sou eu! E muitos outros nãos porque flertes de passagem apesar de ótimos servem apenas para adquirir experiência e para dar fim à carência.
Mas o amor para mim é adjetivo – inatingível, inalcançável como Jorge¹ e por fim abstrato: não sinto seu cheiro, não posso vê-lo, nem tocá-lo e até senti-lo anda difícil esses tempos, e mesmo que ele seja o sujeito do meu querer, existem parênteses e aspas que preciso considerar.


“A coisa mais fina do mundo é o sentimento” (Adélia Prado).